Panorama dos Linfomas será discutido em encontro internacional de hematologia
TweetParaná tem cerca de 500 novos casos de linfoma por ano. Doença será alvo de debates nos dias 18 e 19 de maio, durante o 4º Highlights da Sociedade Americana de Hematologia (ASH)
Nesta semana, dias 18 e 19 de maio, mais de 800 especialistas em doenças do sangue, os hematologistas brasileiros e da América Latina, irão debater a atual situação dos tratamentos oncohematológicos existentes na saúde pública e privada, durante o 4º Highlights da Sociedade Americana de Hematologia (ASH) na América Latina. O encontro é realizado pela Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) em parceria com a ASH e sociedades lationamericanas.
Dentre as doenças que estarão em discussão, estão os linfomas. No estado do Paraná, a estimativa é de haver surgimento de 500 novos casos em 2012, conforme último levantamento do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Apesar de os linfomas terem se mantido em evidência na mídia nestes últimos anos por atingir famosos como o ator Reinaldo Gianecchini, a novelista Glória Perez e a presidente da República, Dilma Rousseff, há ainda muitas dúvidas e desconhecimento da população quanto à doença. A análise é feita pelo diretor da ABHH, o hematologista Dr. Carlos Chiattone, que também é coordenador do encontro.
De acordo com o hematologista, 70% da população ainda desconhece o termo “linfoma”. Os linfomas, em linhas gerais, são cânceres das células do sistema imunológico. E, estas células estão espalhadas em todo o organismo, podendo assim se manifestar em qualquer lugar do corpo. “Diferente de outros tipos de cânceres, como o de mama ou de próstata, que tem o local definido”, explica Chiattone.
Há dois grandes grupos de linfomas, o de Hodgkin, primeiro a ser descoberto na história da medicina em se tratando deste câncer, que tem índice de cura em torno de 90% e, o não-Hodgkin. Este último, segundo Chiattone, é o mais complexo, pois apresenta mais de 50 tipos diferentes, sendo cada um deles com manifestações clínicas e prognósticos distintos.
O hematologista explica ainda que os linfomas do tipo não-Hodgkin são divididos em dois grupos, um com comportamento agressivo, com índice de cura em torno de 70% e outro denominado indolente. “Os linfomas do tipo indolentes, não são curáveis, mas com os tratamentos atuais, é possível promover sobrevida a este paciente, e com qualidade, de maneira a mantê-la crônica, como é a Aids hoje”, reforça o especialista, que também é professor de hematologia da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo.
O índice de incidência da doença dobrou nos últimos anos. A cada ano são diagnosticados 5 mil casos no Brasil, conforme o INCA. Entretanto, é difícil identificar a causa deste aumento, mas uma das possibilidades reconhecidas pelos especialistas é o envelhecimento da população. “Os linfomas são democráticos, independem de sexo e idade, embora acometam, sobretudo, a faixa acima dos 60 anos”, revela o hematologista.
Outro fator apontado é o uso de medicações imunossupressoras, utilizadas no reumatismo, por exemplo, que rebaixam a imunidade da pessoa. “Embora tenhamos algumas possíveis explicações, mesmo somando todas elas, ainda não se pode indicar as causas.”
Sintomas, Diagnóstico e Tratamento
O linfoma pode começar em qualquer local em que existam as células linfáticas, preferencialmente nos gânglios linfáticos, em nódulos no pescoço, axilas e região da virilha. Vale ressaltar que na maioria das vezes, os nódulos são ocasionados por infecções, nem sempre sendo linfoma.
Como diferença básica, Chiattone aponta o fato de o gânglio da infecção, via de regra, doer, enquanto no caso do linfoma, não haver qualquer sensação de dor. Outros fatores indicativos de linfomas são o aparecimento de nódulos com crescimento progressivo, de consistência elástica (fibroelástica), amolecida, como de borracha.
Além disso, em torno de 30% dos pacientes com quadro de linfomas apresenta estes sintomas acompanhados de febre, perda de peso sem motivo aparente, suor noturno intenso e coceira persistente, sem indício de quadro alérgico. “O que é intrigante nos linfomas, é que as manifestações se assemelham a outras doenças comuns”, relata Chiattone. “O fato é que estes sintomas levam a pessoa a buscar atendimento em médicos de outras áreas, que não especialistas no linfoma e isso, muitas vezes, retarda o diagnóstico. Por isso é importante todos os médicos estarem bem informados sobre o linfoma”, complementa o hematologista.
Quando detectado em estágio precoce, o linfoma pode ser erradicado com tratamento adequado. Atualmente, a terapia que mais aumenta a chance de cura e qualidade na sobrevida é a quimioterapia associada ao uso de anticorpos monoclonais, este último ainda não disponível da rede SUS para todos os tipos existentes de linfoma.
Para Chiattone, não há na oncologia uma área tão avançada em termos de tratamento como a dos linfomas. O médico relata que na maioria das vezes, é aplicada a quimioterapia, imunoterapia e, em alguns casos, radioterapia. “Só auando a doença é mais grave ou a pessoa teve recaída, entramos com o transplante de medula óssea, como terapia .”
Sobre o 4º Highlights of ASH in Latin America
Hematologistas brasileiros, lationamericanos e norte-americanos reúnem-se em Foz do Iguaçu (PR), dias 18 e 19 de maio, para a realização da 4ª edição do Highlights of ASH in Latin America (HOA-LA), organizado pela Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) e pela American Society of Hematology (ASH), em parceria com sociedades de especialidade da Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, México, Paraguai, Peru, Uruguai, Venezuela e Equador.
Ainda no Highlights haverá uma reunião entre os presidentes das associações de hematologia lationamericanas para discutir a situação da hematologia de cada país, com base em um levantamento realizado pelas entidades em 2011. “Esperamos obter uma maior compreensão da realidade atual da hematologia na América Latina e como a especialidade está se desenvolvendo em relação a outros países como os Estados Unidos”, relatou o presidente da ABHH, Carmino Antonio de Souza.
Serviço
Highlights of ASH in Latin America
Local: Bourbon Cataratas Convention Resort – Foz do Iguaçu (PR)
Data: 18 e 19 de maio
Horário: 8h às 17h30
Programa





