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abril/maio/junho 2012
entrevista
Conhecimento é poder. E parte do conhecimento é
coletar informações. Podemos saber quantos leitos
vamos precisar, sangue, necessidades hospitalares
e unidades de radioterapia. Podemos analisar mais.
Isso influencia na economia. Os economistas fazem
isso a cada minuto e, então, tomam decisões. Deve-
ríamos aprender um pouco com eles e com nossas
experiências diárias para tomar melhores decisões.
O registro é a base do conhecimento, não somente
para o linfoma, mas para qualquer campo.
O que mais tem sido feito?
Federico:
Uma das atividades mais interessantes é
tentar entender se algum fator ambiental ou genético
poderia afetar o diagnóstico de algum tipo de linfo-
ma maligno, por exemplo. O linfoma de célula 4T,
sabemos que poderia ser efeito de algum vírus raro,
com prevalência virulenta. Alguns tipos de vírus do
Brasil são diferentes dos que há na Europa, assim
gostaríamos de estudar e verificar se essa diferença
da incidência da infecção viral poderia explicar o
que há de mais frequente nos tipos de linfoma de
células T. Outro aspecto é explorar o papel do vírus
HCV, que geralmente determina o estrago no fígado,
mas algumas vezes está relacionado com algum tipo
de linfoma não Hodgkin, então gostaríamos de estu-
dar com nossos amigos brasileiros. Também gosta-
ria de ver se o desempenho de institutos brasileiros
é igual, melhor, pior ou comparável ao desempenho
europeu, no que concerne a diagnósticos prévios,
diagnósticos corretos, tratamentos e melhorias. Para
isso queremos criar, se possível, um bio-banco para
melhor investigar com análise molecular o papel
de alguns fatores predispostos no desenvolvimento
do linfoma. O nível de colaboração é bem amplo.
Isso depende do paciente que temos para cooperar e
acredito que a cooperação vai crescer muito em um
futuro próximo.
O senhor falou sobre a diferença entre doenças
brasileiras e italianas que vocês gostariam de es-
tudar. O fato de termos uma grande colônia ita-
liana especialmente no Sul e Sudeste do Brasil
ajuda nesse sentido?
Federico:
Temos que investigar se a questão racial
entre Itália e Brasil pode influenciar no surgimen-
to da doença ou a predisposição no paciente, pois
no seu País provavelmente 50% das pessoas são
brancas, 45% pardos, menos de 10% de negros e
muito poucos indígenas. Na Bolívia e Peru vemos
a presença indígena mais nitidamente. Essa situa-
ção é bem diferente aqui em relação a seus países
vizinhos. E não sabemos se no passado o Brasil
era assim também, ocupado por pessoas vindas do
leste, como a China, e não apenas por ocidentais.
O fato de sermos tão misturados
dificulta o processo?
Federico:
Queremos explorar se a raça e o am-
biente podem explicar pelo menos uma parte da
predisposição à doença, pois doenças neoplásicas
são uma mistura de predisposição genética e fato-
res ambientes, dieta, vírus, [
agentes
] químicos. Al-
gumas pessoas têm predisposição e outras não. Há
pessoas mais suscetíveis ao câncer de pulmão, de
fígado, de estômago e etc., mas no Brasil a popula-
ção é resultado de várias misturas, então queremos
checar o que há de diferente. No passado seria im-
possível desenvolver esses estudos, mas agora há
técnicas que nos permitem investigar todo o DNA,
todo o genoma, então se podemos fazer isso pode-
mos procurar genes presentes na região mediterrâ-
nea e se eles estão recentes no mesmo nível aqui.
Hoje com genética molecular é possível investigar
se há algo genético, uma seleção. Mas o objetivo
final é trabalhar juntos para encontrar tratamento
para os pacientes, se trabalharmos juntos teremos
mais oportunidades de alcançar isso.
Foto: ©
Jackson Santos
/ RS Press