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abril/maio/junho 2012
quem foi
Além de hematologista,
Carlota Pereira de Queiroz
dedicou-se à política e às
causas sociais
jornais nas ruas do Rio de Janeiro, e a criação do
Laboratório de Biologia Infantil. Carlota foi a úni-
ca mulher a assinar a Constituição de 1934.
Pela primeira vez, neste mesmo ano, uma voz
feminina ecoou no plenário do Palácio Tiradentes,
antiga sede da Câmara dos Deputados e dos tra-
balhos da Assembleia Constituinte. Carlota Pereira
de Queiroz pronunciou em discurso que “além de
representante feminina, única nesta Assembleia,
sou como todos os que aqui se encontram, uma
brasileira, integrada nos destinos do seu País e
identificada para sempre com os seus problemas.
(...) Nem um só momento me senti na presença de
adversários. Porque nós, mulheres, precisamos ter
sempre em mente que foi por decisão dos homens
que nos foi concedido o direito de voto. E, se assim
nos tratam eles hoje, é porque a mulher brasileira
já demonstrou o quanto vale e o que é capaz de
fazer pela sua gente.”
Após a publicação da nova Carta Magna, elegeu-
se novamente e exerceu o mandato até 1937, ano em
que o ‘golpe de Getúlio Vargas’ fechou o Congresso
Nacional. Em 1939, publicou o trabalho ‘Apropósito
de um caso de cloroma’, em colaboração com João F.
Barreto e Rafael de Barros. Em 1941, apresentou o
estudo ‘Vantagens da generalização do exame hema-
tológico e sua aplicação em medicina social’ para a
Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo.
Especializada na área, chefiou o Serviço de
Hematologia da Clínica Obstétrica e Ginecoló-
gica da Faculdade de Medicina da Universidade
de São Paulo (FMUSP), sob direção do professor
Raul Bricquet, entre 1947 e 1952. Em 1950, fun-
dou a Academia Brasileira de Mulheres Médicas
(ABMM) e presidiu a entidade de 1961 a 1967.
Carlota se aposentou em 1952, mas continuou a
exercer a hematologia em seu consultório particu-
lar. Além disso, publicou os livros ‘Um fazendeiro
paulista no século XIX’, em 1965, e ‘Vida e morte
de um capitão-mor’, em 1969.
A sobrinha de Carlota revelou, para a autora
do livro ‘História da Hematologia Brasileira’, que
“os dez últimos anos de sua vida foram difíceis,
pois ela foi acometida por catarata, glaucoma e
esclerose progressiva”. Carlota Pereira de Queiroz
faleceu em 1982, aos 90 anos.
Foto: ©
Peregrina Virtual
/ Reprodução
Carlota Pereira de Queiroz recebeu uma série de
homenagens País afora devido a sua trajetória.
Honrada como patronesse da cadeira nº 71 da
Academia de Medicina de São Paulo, ela tam-
bém foi homenageada com um monumento em
bronze, produzido pelo escultor Luis Morrone,
localizado na Praça Califórnia, zona Oeste da
capital paulista. Além disso, seu nome foi atri-
buído a uma avenida no município de Socorro
(SP), a uma Escola Municipal de Educação
Infantil (EMEI) de Cidade Tiradentes, zona Leste
paulistana, e a uma rua na cidade de Curitiba
(PR). Seu nome inspirou também
a criação do Diploma Mulher
Cidadã Carlota Pereira de
Queirós, instituído pela
Resolução nº 3, de 2003,
no âmbito da Câmara
dos Deputados.
Reconhecimento