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HEMO
abril/maio/junho 2012
educação
I
mportantes para sociedade, comuni-
dade científica e órgãos gestores da
saúde no País, estudos clínicos tam-
bém contribuem para a atualização
dos profissionais da saúde no uso de novas
possibilidades terapêuticas. Segundo espe-
cialistas, há ainda a questão da visibilida-
de pela comunidade médica internacional,
ao mostrar que no Brasil existem centros
e pessoal qualificados para a pesquisa clí-
nica e possibilidades de análises laborato-
riais com sofisticação técnica.
Esse contexto tem evoluído nos últimos
dez anos, mas ainda está aquém do espe-
rado. Assim analisa o professor-adjunto de
hematologia do Departamento de Clínica
Médica da Universidade Federal do Rio
de Janeiro (UFRJ), Angelo Maiolino, que é
também vice-diretor administrativo da As-
sociação Brasileira de Hematologia, Hemo-
terapia e Terapia Celular (ABHH). “Cada
vez mais o Brasil mostra sua capacidade
de pesquisa e de recrutamento de pacientes
nos estudos clínicos patrocinados”, afirma.
“Mas, no estudo de iniciativa do investiga-
dor, o País está muito atrasado.”
Maiolino exemplifica que na área de
oncohematologia, “pesquisas do tipo são
fatos isolados e absolutamente esporádi-
cos”. Ele compara que na Itália “há mais
de 40 estudos de iniciativa do investigador
na área do linfoma, e no Brasil não temos
nenhum”. O professor possui duas linhas
principais de pesquisa, o Transplante de
Medula Óssea (TMO) e o mieloma múl-
tiplo (MM). Teve, ainda, a oportunidade
de aprofundar seus estudos na Itália e nos
Estados Unidos.
Segundo Maiolino, nos estudos patro-
cinados pela indústria há menos entraves.
“Para o investigador a dificuldade está na
forma de financiar os estudos, não na ca-
pacidade técnica dos atores envolvidos”,
analisa o especialista. “O Conselho Nacio-
nal de Desenvolvimento Científico e Tec-
nológico (CNPq), a Fundação de Amparo
à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fa-
pesp) e outras agências de fomento incen-
tivam os estudos que incluem pesquisa de
bancada e estudos clínicos retrospectivos.
Mas os ensaios clínicos na fase III, que
possibilitarão testar o medicamento e uma
nova estratégia de tratamento, não são fi-
nanciados”, explica ainda.
Por Rosangela Silva
Foto: ©
John Crawford /
National Cancer Institute