38
|
HEMO
abril/maio/junho 2012
educação
vista científico, o destaque só se dará quan-
do fizermos os nossos próprios ensaios, de
iniciativa do investigador”, completa.
Omédico assistente doAmbulatório de
Gamopatias da Santa Casa de Misericórdia
de São Paulo, Edvan de Queiroz Crusoé,
aponta que em países desenvolvidos os
pacientes são mais dispostos a participar
de estudos clínicos do que no Brasil. “Ain-
da é muito comum o preconceito contra
a prática”, afirma Crusoé, que é também
médico supervisor da residência de clínica
médica no Hospital Geral Roberto Santos
(SESAB-BA).
Para ele, além dos entraves estruturais
e financeiros, existe um problema cultural.
“À medida que se inicia a pesquisa clínica,
ela penetra no âmbito da população médi-
ca e das pessoas em geral. E o argumento
de que a indústria só tem o interesse no lu-
cro e em tornar as pessoas cobaias cai por
terra. Há estudos clínicos sérios. A solução
é mostrar que eles são importantes para os
pacientes”, defende.
O hematologista afirma que, nestes ca-
sos, a ética médica deve prevalecer. “Já par-
ticipei de estudos muito bem conduzidos.
O paciente não é prejudicado, muito pelo
contrário. Vejo vantagem na realização do
ensaio clínico no Brasil, como a possibili-
dade de o paciente ter acesso a novas medi-
cações, inclusive no momento em que essa
droga for aprovada.” Isso porque órgãos
reguladores, como o
European Medicines
Foto: ©
Cecília Bastos
/ HC ©
Ministério da Saúde
/ Divulgação ©
Diane A. Reid
/ National Cancer Institute
Recentemente um estudo de iniciativa do investi-
gador brasileiro sobre manutenção pós-transplante
com talidomida em pacientes com Mieloma Múltiplo
foi aceito pelo
American Journal of Hematology.
A
pesquisa começou em 2001 e contou com a partici-
pação de 200 pacientes. Multicêntrico, obteve con-
tribuição da Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ), Santa Casa de Misericórdia de São Paulo,
Universidade de Campinas (Unicamp) e Universida-
de de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto. “Estamos
muito satisfeitos porque neste estudo a iniciativa, o
desenho, a estatística, os pacientes, tudo é brasilei-
ro. Acreditamos que seja um incentivo para outros
pesquisadores nacionais”, diz Angelo Maiolino,
integrante do grupo que conduziu a pesquisa.
Estudo brasileiro é aceito
em publicação americana