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abril/maio/junho 2012
educação
no Uruguai e no Chile. “É um estudo de
viabilidade. Não estamos testando nenhu-
ma droga em especial, mas estamos mos-
trando o impacto do rápido diagnóstico
deste tipo de leucemia”, narra o especia-
lista. “O tratamento da LPA envolve não
apenas a escolha correta do esquema qui-
mioterápico, mas também um suporte he-
moterápico agressivo e o monitoramento
adequado para o método, tanto morfológi-
co como molecular nestes casos.”
O estudo tem investimento misto, a
maior parte proveniente de doação, e com
apoio da
American Society of Hematolo-
gy
(ASH), além de patrocínio da Fapesp
para apoio e estudos em laboratório. “O
grande benefício dos estudos clínicos de
iniciativa do investigador é que nós te-
mos perguntas que são importantes para a
sociedade, para os pacientes e para o en-
tendimento da doença, que podem não ser
importantes para a indústria farmacêuti-
ca”, diz Rego.
Edvan Crusoé, da Santa Casa de Mise-
ricórdia de São Paulo, participa de alguns
trabalhos de iniciativa do investigador, en-
tre eles um estudo que realiza diferentes
combinações com
talidomida
em mieloma
múltiplo para pacientes não elegíveis a
transplantes. Mas a participação dos pes-
quisadores brasileiros tem se restringido
à execução de protocolos desenvolvidos
em outros países. Nessa linha de pesqui-
sa, Maiolino ressalta a importância da
participação em estudos internacionais de
medicamentos. “Primeiro porque somos
coparticipantes de um esforço conjunto da
comunidade científica internacional para
testar um medicamento, dentro dos crité-
rios éticos e que passam por todas as ins-
tâncias regulatórias, a EMA e o Comitê de
Ética. Mas, nesses estudos, não participa-
mos do desenho, da elaboração intelectu-
al. Não estou desmerecendo, mas só com
os estudos de iniciativa do investigador e
com a formação dos grupos cooperativos
é que vai haver o real desenvolvimento
dos ensaios clínicos no Brasil”, diz o vice-
diretor Administrativo da ABHH.
Agency
(EMA, ou Agência Europeia de
Medicamentos) e a Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa) preferem ter
o estudo consolidado fora do País. Entre-
tanto, Crusoé pondera que “se os medica-
mentos fossem testados aqui, haveria mais
facilidade para liberá-los no País.”
A professora da Faculdade de Ciên-
cias Médicas da Santa Casa de São Paulo,
Vania Hungria, concorda que existam pro-
blemas de ordem cultural na questão, além
das desigualdades regionais. “Em uma ci-
dade como São Paulo, o ensaio tem avan-
çado, em outras, não. Não é algo frequente
os pacientes se informarem sobre estudos
clínicos, mas é um trabalho de divulgação
que tem de ser feito pelos médicos e pelas
organizações. A cultura de participar des-
tas pesquisas no Brasil está muito longe
do ideal, mas temos caminhado para o en-
tendimento de sua importância”, acredita
a especialista.
Realidade nacional
“Muitas vezes na nossa realidade o
resultado vai ser diferente porque o nosso
paciente é diferente, tem o aspecto social
diferente. Na oncohematologia, temos es-
tudos em que utilizamos uma estratégia de
tratamento nova, mais incorporada à rea-
lidade brasileira. Procuramos entender a
nossa população”, conta Vania.
Angelo Maiolino, por sua vez, esclare-
ce que um estudo por iniciativa do inves-
tigador não tem simplesmente o intuito de
testar uma nova droga, mas, sim, testar o
novo medicamento dentro de um cenário
determinado. “Queremos saber, por exem-
plo, se a manutenção com
talidomida
, que
já existe, funciona ou não após o trans-
plante. A pergunta é: ela funciona neste
novo cenário ou não?”, diz.
Eduardo Magalhães Rego, da FMRP-
USP, participou de um estudo de Leuce-
mia Promielocítica Aguda (LPA), subtipo
da Leucemia Mieloide Aguda (LMA), no
qual foram envolvidos centros de excelên-
cia em hematologia no Brasil, no México,
Especialistas ressaltam que se medicamentos
fossem testados no Brasil, haveria maior
facilidade para liberação