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abril/maio/junho 2012
panorama
nano, Margareth Ozelo, Elbio D’Amico,
Marina Colella e Josefina Braga.
De acordo com Souza, há um compro-
misso de conclusão destes temas até, no
máximo, o final de abril e, logo em segui-
da, serão apresentados três novos: um em
leucemia promielocítica aguda (LPA), um
em síndrome mielodisplásica e outro em
mieloma múltiplo.
“Este panorama demonstra a evolução
contínua do Projeto Diretrizes na área de
hematologia, hemoterapia e, futuramente,
com a inserção de material sobre a terapia
celular”, relatou o presidente da ABHH.
Como próximo passo, a Associação irá
rever os temas já publicados e, possi-
velmente, iniciar aqueles que ainda não
foram discutidos, como é o caso da tera-
pia celular. A previsão é que até o final
do primeiro semestre deste ano, haja seis
diretrizes editadas.
Trajetória
Desde 1999 discutia-se no universo
das sociedades de especialidades médicas
a criação de um processo de elaboração de
diretrizes. Com base em evidências cien-
tíficas, a Associação Médica Brasileira
(AMB) e o Conselho Federal de Medicina
(CFM) se uniram na realização deste tra-
balho, iniciado um ano depois e batizado
de Projeto Diretrizes. Segundo o coorde-
nador da iniciativa, Wanderlei Marques
Bernardo, “as diretrizes são consideradas
instrumento de boas práticas e podem re-
solver conflitos com os sistemas de saúde,
auxiliar a decisão médica e otimizar o cui-
dado aos pacientes”.
Em dezembro do ano passado aconte-
ceu a entrega das primeiras diretrizes e al-
guns resultados já começaram a surgir. Em
menos de um ano foram apresentadas 40
diretrizes, em diferentes especialidades. A
atualização é periódica e possui coordena-
ção de Fabio Biscegli Jatene, e comissão
técnica integrada por Wanderley Marques
Bernardo e Moacyr Roberto Cuce Nobre.
As bases das recomendações de conduta
médica são elaboradas com rigorosa me-
todologia científica.
Além de abordar temas relevantes para
o setor suplementar, as diretrizes clínicas
têm caráter diretivo, traduzido em reco-
mendações claras e flexíveis. De acordo
Foto: ©
Divulgação
/ diretrizesans.blogspot.com.br
com Bernardo, a participação no projeto
tem aumentado. “Aproximadamente 50
especialidades já aderiram ao Projeto Di-
retrizes.” O coordenador prevê também
que 50 temas possam ser desenvolvidos
pelas sociedades médicas a cada cinco
anos, mas em velocidade progressiva.
“Você começa com cinco ou seis temas em
um ano, no próximo você faz dez e no ou-
tro você faz 15.”
Cada Sociedade de especialidade afi-
liada à AMB é responsável pelo conteúdo
informativo e pela elaboração de sua di-
retriz. Diante disso, o processo de elabo-
ração por parte das associações é variado.
Algumas constituem um grupo de traba-
lho, outras delegam a tarefa a uma única
pessoa e ainda há aquelas que preferem
o processo consensual e multidisciplinar,
que envolve diversas especialidades em
uma mesma diretriz.
Processo exemplar
Em agosto de 2010, aconteceu a no-
meação de coordenadores para cada uma
das 12 diretrizes a serem encaminhadas
pela ABHH para aprovação junto à AMB.
O presidente da Associação, Carmino de
Souza, garante que não se propõe nada que
não seja factível e com o máximo de pro-
vas científicas. Ainda de acordo com ele,
a proposta é desenvolver uma agenda plu-
rianual, com a edição de vários números
especiais da Revista Brasileira de Hema-
tologia e Hemoterapia (RBHH).
O coordenador do Projeto Diretrizes,
Wanderlei Marques Bernardo, enfatiza
que o processo de elaboração das diretri-
zes pela ABHH é ideal, pois a entidade
oferece treinamento e estimula a revisão
sistemática da literatura. Ainda de acordo
com ele, outro mérito da ABHH é a cen-
tralização da elaboração das diretrizes nos
pacientes. “Hoje, existe uma tendência de
centralizar a avaliação da tecnologia e não
abordar o paciente como um todo.”
Para Bernardo, esse processo de elabo-
ração por parte da ABHH deve ser tomado
como exemplo para as demais sociedades
médicas. “Geralmente focamos no diag-
nóstico e tratamento e esquecemos que
algumas orientações para os pacientes são
básicas e deveriam ser incorporadas nas
diretrizes”, ressalta.
Wanderlei Marques
Bernando, em 2011,
durante palestra explicativa
sobre o Projeto Diretrizes