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Revista Vestir
13
Por Marina Panham
Atualmente, os produtos de vestuário
possuem um ciclo de vida mais cur to
e as novas demandas do setor exigem
maior atenção para a operação logís-
tica em prol do aumento da produtivi-
dade operacional, otimização de tempo,
minimização de custos e segurança
dos processos.
Há 15 anos no setor, o conselheiro
da Associação Brasileira de Logística
(Abralog) e diretor de logística da Linx,
Daniel Mayo, observa que novas tendên-
cias surgem o tempo todo no universo
da moda e que a indústria e o varejo
precisam acompanhar o ritmo do mer-
cado. No fast-fashion, por exemplo, as
marcas possuem uma política de produ-
ção rápida e contínua de suas peças.
Nesse segmento, as coleções são troca-
das semanalmente, ou até diariamente,
levando as últimas tendências da moda
ao consumidor em tempo recorde. A par-
tir da ofer ta e demanda dos produtos,
os consumidores nor teiam as marcas
a produzirem as peças.
A grande questão é se a infraestru-
tura brasileira de transporte e a gestão
da cadeia logística, também conhecida
como supply chain management, supor-
tam as atuais exigências de pontualidade
da cadeia de vestuário. Mayo observa
que, quando começou a atuar com logís-
tica, o termo ainda não havia sido difun-
dido no País. Inclusive ele considera que
atualmente o segmento ainda é incipiente
para o vestuário, principalmente para
a indústria. “O varejo já tem um pouco
de consciência sobre a importância da
logística, mas a indústria ainda não se
atentou à questão”, afirma.
Para o especialista, os varejistas de
vestuário que não perceberam a rele-
vância da logística mantêm o modelo
de “empurrar” o produto para a loja e
esperar que apenas o preço seja sufi-
ciente para que a venda aconteça. Mas
não é só o preço que determina a venda
de uma peça de roupa. É necessário
identificar o que o cliente está deman-
dando. “Chamamos esse fenômeno de
‘puxar’ o produto”, explica. Segundo
ele, essa diferença de entendimento
provoca uma barreira na colaboração
entre a indústria e o varejo. “Em muitos
casos, há uma relação de canibalismo
que não colabora com o crescimento
do setor”, acrescenta.
Já no segmento de supermercado, o
acirramento foi superado e o varejo e
a indústria mantêm uma relação está-
vel de cooperação para reduzir esto-
ques e, consequentemente, aumentar
os giros e as margens de ambos. Por
atingir um alto percentual nos custos
logísticos, a manutenção em estoques
é uma atividade-chave do fluxo logístico
da cadeia têxtil. Por muito tempo se
convencionou o envio das mercadorias
em lotes, conhecidos como grades, para
o varejo de vestuário - a prática ainda
é bastante comum no setor de calça-
dos. Esse modelo de abastecimento
está baseado em uma cur va estatís-
tica, ou seja, quando é reposta uma
grade inteira de calçados, são repostos
inclusive os tamanhos que não foram
vendidos, acumulando estoque.
Além do modelo de reposição de
grade, alguns varejistas “empurram”
o produto. “A loja compra o lote,
‘empurra’ as mercadorias ‘encalha-
das’ para outras unidades e espera elas
venderem. Ao saber que a loja de São
Paulo vendeu mais do que a de Santa
Catarina, transferem a mercadoria
de um estado ao outro”, exemplifica.
Apesar de ser uma solução prática
de abastecimento, Mayo enfatiza que
implica um custo maior de transpor te
e não oferece resultados financeiros.
Portanto, o modelo mais adequado de
abastecimento de mercadoria é o de
repor a unidade vendida. A logística
enxuta é um processo que se baseia
no princípio de combate a todo e qual-
quer desperdício para reduzir custos e
aumentar a competitividade no mercado.
Know-how em logística
O cenário descrito reforça a impor-
tância de um processo logístico efi-
ciente para atender à nova realidade
do mercado. Mayo observa que a per-
formance da operação logística é fator
determinante para suprir a heterogenei-
dade do segmento. “Um dia de atraso
na entrega de produtos de vestuário
pode ser decisivo para a mercadoria
‘perecer’ e gerar perdas irrecuperáveis”,
afirma. Portanto, operadores logísticos
O modelo mais
adequado de
abastecimento
de mercadoria
é o de repor a
unidade vendida.
Chamado de
logística enxuta,
o processo
se baseia no
princípio de
combate a todo
e qualquer
desperdício para
reduzir custos
e aumentar a
competitividade
no mercado