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medicina nuclear em revista
| Jul • Ago • Set 2014
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e s pec i al
c arre i ra
apoio dos setores público e privado
são limitados no Brasil, não são exu-
berantes como nos EUA. As coisas
para os colegas brasileiros são difi-
cultadas”, observa. Como exemplo,
Borges cita o PET/CT, utilizado para
exames cardiológicos e oncológicos.
“Para sua realização, é necessária a
injeção de material (glicose com
flúor). No Brasil, os médicos ficam
dependentes do fornecimento desse
material injetável. Nos Estados
Unidos, nós o temos commuita faci-
lidade e em grande quantidade. Não
temos problema nenhum no forneci-
mento”, diz.
Borges ressalta que o Brasil pos-
sui excelentes médicos nucleares,
muito bem qualificados. “Embora
esses profissionais precisem de um
suporte maior dos setores público e
privado, o País é visto com poten-
cial, não só na MN, mas na medicina
como um todo. Contudo, o que
vemos são hospitais sem condições
de fazer exames básicos. O Brasil
precisa de infraestrutura para seus
médicos trabalharem, e não de
médicos de fora. O País tem grandes
centros, mas que sofrem com o
bloqueio financeiro e burocrático.
Émuitomais difícil instalar medicina
nuclear no Brasil do que nos Estados
Unidos”, compara.
Questionado sobre o desejo de
retornar, Borges afirma que vemao
País cerca de duas vezes por mês,
quando convidado para palestras e
congressos e para contribuir em
O
portunidades de trabalho, novos
aprendizados e o contato com as
mais desenvolvidas tecnologias. A
possibilidade de conhecer novas
culturas e até conquistar a indepen-
dência financeira conciliando o
desenvolvimento profissional. Esses
são apenas alguns dos sonhos e
motivações que levammuitos pro-
fissionais brasileiros ao exterior. A
prática também é extremamente
comum em várias áreas da medicina
e, em especial, na medicina nuclear.
O médico nuclear Salvador Borges
Neto conta que foi aos Estados
Unidos pela primeira vez para um
internato de seis meses emHarvard,
em um hospital de Boston. “Foi um
pedido meu [o internato], para me
expor à medicina de primeiro mun-
do. Era a vontade de uma nova
experiência. O objetivo era aprender
e retornar ao Brasil para concluir a
faculdade. Fui para Niterói (RJ) e
retornei aos Estados Unidos nova-
mente. Fiquei mais dois anos em
Harvard e um ano na Baylor College
of Medicine, onde fui introduzido à
medicina nuclear na cardiologia,
que me fascinou”, diz.
Nesse período de fellowship no
Hospital Metodista emHouston, no
Texas, Borges teve uma experiência
marcante em sua carreira. “Quando
vi as primeiras imagens tomográfi-
cas cardiológicas, fiquei encantado.
Isso foi em 1986. A partir daí, tive o
interesse de continuar me desenvol-
vendo na medicina acadêmica.”
Após o aprendizado, voltou nova-
mente para o Brasil, agora para São
© Shutterstock
Paulo (SP). “Fizemos [em conjunto
com outra médica] as primeiras
imagens tomográficas emmedicina
nuclear do coração, usando o
Dipiridamol, no Instituto Dante
Pazzanese”, lembra.
Segundo ele, a situação do Brasil,
na época, não era boa. “A decisão de
voltar aos Estados Unidos foi por
motivo profissional. Senti que teria
mais oportunidades”, avalia.
Novamenteemterrasnorte-americanas,
em 1988, Borges passou por treina-
mento específico na área, fez uma
nova residência, emmedicina
nuclear, provas e pesquisas.
“Quando terminei a residência,
fiquei um ano como professor assis-
tente. Meu início de carreira foi em
cardiologia, no Brasil. Hoje pratico a
medicina nuclear em toda a sua
amplitude - do diagnóstico ao trata-
mento – e trabalho na Universidade
de Duke com todos os aspectos da
especialidade: câncer, doenças car-
díacas, neurológicas, endocrinológi-
cas, entre outras”, conta o médico,
que mora atualmente emDurham,
na Carolina do Norte.
Sobre a diferença das realidades
na medicina nuclear entre Estados
Unidos e Brasil, ele ressalta a intensi-
dade da burocracia existente no País.
“Isso atrapalha e causa empecilhos
para o avanço. A infraestrutura e o