Revista Plastiko´s #230

PLASTIKO‘S 40 Especial. À FRENTE DO SEU TEMPO PRIMEIRA CIRURGIA DE REDESIGNAÇÃO SEXUAL FEITA NO BRASIL EM 1971 PELO PROF. DR. ROBERTO FARINA GANHOU REPERCUSSÃO MUNDIAL NA ÉPOCA Por LEILA VIEIRA N a década de 1970, o cirurgião plástico Roberto Farina escreveria seu nome na história da medicina por um feito inédito: ele realizaria em 1971 a primeira cirurgia de redesignação sexual no Brasil, procedimento que busca compatibilizar órgãos sexuais à identidade de gênero. Mas o Dr. Farina, que era professor de cirurgia plástica da Escola Paulista de Medicina (EPM/Unifesp) e um dos mais importantes cirurgiões plásticos do país, não imaginaria que esse pioneirismo, reconhecido já naquela época por toda a comunidade científica internacional, iria causar dissabores: o avanço foi tratado como caso de polícia pelas autoridades. A revista Manchete chegou a divulgar com “exclusividade” na época o resumo do trabalho apresentado pelo cirurgião plástico durante um congresso científico. Definida também como “transgenitalização”, o caso que ganhou as manchetes do país naquela época foi o de Waldirene Nogueira, manicure do interior de São Paulo, e que havia nascido Waldir. Formado em 1943 pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, o Dr. Farina a operou em 1971 no Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo. Precursor em procedimentos urogenitais, a perseguição ao cirurgião plástico começou quando ele, durante um congresso científico, contou o caso de Waldirene e de outras pessoas transexuais (o ativista LGBT João Nery, o primeiro homem trans do Brasil a fazer a cirurgia, também foi operado pelo Dr. Farina). Quatro anos depois de ser operada, ela quis retificar seus documentos para incluir seu nome Waldirene, mas foi negado. “O Prof. Farina nos legou o exemplo, a coragem, os livros, grandes neologismos médicos, novas técnicas cirúrgicas, uma escola formada de inúmeros discípulos entre suas dezenas de assistentes e mais de 150 trabalhos em revistas médicas nacionais e internacionais e a inclusão do transexual operado na realidade brasileira”, escreve o Dr. Gláucio Farina, sobrinho e aluno do professor. A íntegra do texto está disponível no site da SBCP.

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