43 PLASTIKO‘S PIONEIRISMO de pacientes em busca deste procedimento cirúrgico nos últimos anos. “Há uma demanda reprimida e uma fila de espera que leva anos no SUS.” O cirurgião plástico responsável pelo Programa de Cirurgias de Afirmação Genital do Hospital Estadual Mário Covas e médico assistente da Divisão de Cirurgia Plástica do HCFMUSP, Dr. Rodrigo Itocazo Rocha, também constata este aumento na busca pela cirurgia nos últimos 20 anos. “Mas são poucos os especialistas e os centros especializados nesses tipos de cirurgias, o que torna um cenário desfavorável para o paciente porque cria longas filas de espera”, explica. Poucas instituições no SUS podem realizar este tipo de procedimento: o Hospital das Clínicas de Porto Alegre; e o Hospital Estadual Alberto Rassi (HGG), em Goiás; o HC da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); o HC da Universidade de São Paulo (USP); e o Hospital Universitário Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro. Apesar disso, ele vê uma preocupação dos profissionais de saúde em se atualizarem sobre a área e aprimorar o atendimento de pessoas que já foram submetidas à operação de afirmação de gênero. “As técnicas cirúrgicas evoluíram muito no sentido de uma padronização de sequência cirúrgica, tanto que o tema tem sido matéria recorrente em congressos da nossa especialidade”, ressalta o médico. A história dos pacientes é algo que motiva o cirurgião plástico a atuar nesta área da cirurgia plástica, que ainda sofre com preconceitos da sociedade e entre os próprios médicos. “Todos os pacientes têm uma história marcante de luta e de enfrentamento do preconceito da sociedade. Apesar desse preconceito, percebo que atualmente houve uma mudança sensível no cenário familiar, que está mais envolvido nesse processo e passa a dar suporte para o(a) filho (a), acompanhando em consultas e dando inclusive apoio financeiro”, observa.
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