Página 5 - Revista Vestir 08

Versão HTML básica

Revista Vestir
5
Palavra do Presidente
Ronald Masijah
presidente do Sindicato do
Vestuário (Sindivestuário)
O governo brasileiro
alimenta uma política que fez com
que milhares de brasileiros pudessem
ascender ao consumo de produtos, fato
impossível de acontecer tempos atrás.
Nos últimos anos, as classes C, D e E
tiveram uma expansão considerável,
porém, tal política não atentou – os
empresários esperam que não proposi-
tadamente – para o fato de que na ver-
dade quem mais se beneficiou dessas
“benesses populistas” foram os produ-
tos impor tados e não a indústria nacio-
nal, que efetivamente gera empregos,
salários e renda às classes citadas.
A cadeia produtiva do vestuário,
segundo maior empregador da indústria
de transformação no País e a que mais
emprega mulheres, vem literalmente
encolhendo, e não é por conta da qua-
lidade dos tecidos utilizados nas con-
fecções. Com as empresas reduzindo
drasticamente sua produção, os empre-
gos consequentemente caem junto. E
por mais paradoxal que venha a ser, a
verdade é que todos os números que
recebemos dos economistas mostram
queda na produção de roupa nacional
e aumento das vendas de roupas no
varejo do Brasil.
Mas que milagre é esse da multiplica-
ção das camisas, das calças e dos ves-
tidos? A resposta é simples: os importa-
dos asiáticos são o prato predileto das
redes de varejo, e eu não as culpo, pois
lá de fora chegam produtos tão bons
quanto os fabricados pelas modernas e
produtivas fábricas brasileiras.
E por que não comprar a roupa feita
internamente que chega de imediato
Governo do povo,
mas contra o povo
Indústria do vestuário vem caindo de 2% a
4% ao mês. As importações já respondem
por 20% do mercado de roupas no País
A cadeia produtiva do vestuário,
segundo maior empregador da
indústria de transformação no País
e a que mais emprega mulheres, vem
literalmente encolhendo, e não é
por conta da qualidade dos tecidos
utilizados nas confecções
às prateleiras, gera empregos, for ta-
lece as empresas e traz divisas para o
País? É porque as leis do mercado são
simples: as importadas são mais bara-
tas, por não pagarem o sócio invisível,
que toma 42% de impostos em cada
peça. Uma roupa impor tada, quando
muito, paga somente por volta de 10%
na origem.
Em todo o processo, a roupa impor-
tada chega ao Brasil pelo menos com
a metade do valor viável de ser produ-
zida aqui. A indústria do vestuário vem
caindo de 2% a 4% ao mês. As impor-
tações já respondem por 20% do mer-
cado de roupas no País. Temo que se
nada for feito, em 10 anos a indústria
de roupas no Brasil acabará e os empre-
gos serão perdidos.
E se o governo brasileiro não fizer algo
para conter essa avalanche de importa-
ções, estará, a curtíssimo prazo, decre-
tando o final da indústria têxtil e do ves-
tuário brasileiro e colocando milhares de
trabalhadores nas ruas, sofrendo tudo
de pior que existe com o desemprego. E
aí todas as outras medidas que visaram
à melhoria da qualidade de vida dos tra-
balhadores de nada terão adiantado.
Sindivestuário/Divulgação