Página 11 - Medicina Nuclear em Revista 06

Versão HTML básica

medicina nuclear em revista
| Abr • Mai • Jun 2014
11
in vivo
notícias institucionais da SBMN
Claudio Tinoco Mesquita
Vice-presidente da SBMN
registro dos radiofármacos
pela Agência Nacional de
Vigilância Sanitária
(Anvisa), questão acompa-
nhada pela SBMN, mas
ainda sem conclusão. A
criação de uma Norma
(RDC n°64/2009) com dire-
trizes específicas para o
registro de radiofármacos
representou grande avanço
para a sociedade brasileira
e para a SBMN, porém,
esse processo envolve mui-
to critério, pois é difícil
aplicar todas as Normas
dos fármacos comuns aos
compostos radioativos.
Particularidades dos radio-
fármacos como as concen-
trações mínimas emprega-
das que não determinam
efeito farmacológico na
grande maioria dos exa-
mes, número limitado de
itens por lote e a necessi-
dade de várias produções
por semana tornam com-
plexa a comparação com os
demais medicamentos.
Acreditamos que essa
questão encontrará uma
solução harmônica em prol
do desenvolvimento de
uma especialidade cada
vez mais forte e segura
para pacientes e médicos.
O segundo ponto que
merece atenção é a poten-
cial crise no suprimento
mundial de
99
Molibdênio.
Atualmente, o Brasil
importa 100% de seu
suprimento de
99
Molibdênio de países que
o produzem em reatores
nucleares de pesquisa (que
não são os de usinas
nucleares). O ano de 2009
nos permitiu entender a
fragilidade da cadeia de
suprimento de
99m
Tecnécio
no mundo, pois a interrup-
ção no funcionamento de
dois geradores causou
grande crise de forneci-
mento desse elemento no
mundo, e o Brasil assistiu a
períodos de escassez que
forçaram uma redução da
oferta de exames para a
população e a criação de
grandes filas de espera
para os pacientes. O
assunto mereceu a aten-
ção de muitas nações e foi
criado um grupo de alto
nível na Organização para a
Cooperação e Desenvolvi-
mento Econômico (OCDE),
situada emParis, que temse
dedicado a buscar soluções.
Diversas iniciativas têmsido
tomadas para viabilizar uma
resposta adequada que
atenda às necessidades glo-
bais e regionais.
O Brasil tomou a decisão
correta de construir um
Reator Multipropósito
(RMB), que será instalado
no estado de São Paulo, e
permitirá, a partir de 2018,
que tenhamos autossufi-
ciência na produção e distri-
buição dos isótopos médi-
cos para a população brasi-
leira. No entanto, alguns
pontos precisam ser enfati-
zados: é muito importante
que o projeto do RMB siga o
planejamento realizado,
para que não haja atrasos
que impactem a oferta
de exames para os
pacientes após 2018; o
período que antecede a
operação do RMB, que
inclui de 2015 a 2017,
tem um risco de fragili-
dade, pois dois reatores
nucleares encerrarão
suas operações. A
SBMN tem trabalhado
para apoiar a CNEN e
mobilizar o Ministério
da Saúde, e em conjun-
to buscarmos uma
estratégia para manu-
tenção do suprimento
de radioisótopos estável
e com preços que per-
mitam a viabilidade
econômica da realização
dos procedimentos de
medicina nuclear para a
nossa população.
Nesse ambiente de
grandes mudanças e
imensas perspectivas,
é muito importante
que tenhamos uma
SBMN fortalecida e
coordenada com seus
sócios para que viven-
ciemos um momento
de crescimento na
especialidade, que
segue no caminho de
uma medicina nuclear
cada vez mais forte,
representativa, rele-
vante e que contribua
para o benefício da
sociedade brasileira.
© shutterstock