Página 33 - Medicina Nuclear em Revista 06

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medicina nuclear em revista
| Abr • Mai • Jun 2014
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na prática
médico e o paciente deve ser fortale-
cida. “A principal dificuldade é der-
rubar o mito, porque o paciente vem
muito assustado. É preciso mostrar
commuita clareza quais são os efei-
tos colaterais e esclarecer que os
perigos são baixos”, destaca a dire-
tora da Medicina Nuclear
Nuclimagem / Santa Casa de São
Paulo e Unidade Diagnóstica de
Densitometria Óssea (UDDO) /
Hospital Samaritano, Marilia
Marone, que há mais de 35 anos
acompanha pacientes que fazem uso
de tratamentos com radiofármacos.
Ela reforça que é importante deixar
claro quais as reais possibilidades
de resultados. “O médico precisa
passar segurança e confiança ao
paciente, falando a verdade, mas
com suavidade.” Gomes comparti-
lha a mesma opinião e acredita que
tais procedimentos demandam
maior aproximação com os pacien-
tes e seus familiares, uma vez que
são necessárias consultas antes e,
eventualmente, depois dos trata-
mentos. Ambos concordam que tal
vínculo faz com que o paciente enca-
re o tratamento commais facilidade.
Segundo Marília, é comum que
pacientes com doenças menos gra-
ves apresentemmaior resistência,
por isso a necessidade de conversar
sobre os efeitos colaterais, que são,
na maior parte dos casos, leves.
Entre os mais frequentes estão as
alterações hematológicas transitó-
rias, geralmente na quarta ou quinta
semana após o tratamento, e proces-
so inflamatório leve na glândula
salivar. “Em casos mais graves com
doses maiores, as alterações hema-
tológicas transitórias leves ou
moderadas ocorrem em 5% dos
pacientes, e esse número cai para 1%
nos casos de alterações mais signifi-
cativas”, alerta a especialista.
Perspectivas
Com novos radiofármacos e evolu-
ções nos tratamentos já existentes,
o futuro da medicina nuclear é
promissor. Entre as principais
novidades estão as microesferas
marcadas com 90Y para tratar
lesões hepáticas e o 223Ra para
tratamento de metástases ósseas
do câncer de próstata. A primeira
apresenta altas taxas de resposta,
com redução importante do tama-
nho das lesões e incremento na
sobrevida, podendo ser associada
à quimioterapia. “O Instituto de
Pesquisas Energéticas e Nucleares
(IPEN) está em fase de desenvolvi-
mento desse radiofármaco, já utili-
zado, principalmente na Itália e
Estados Unidos. O tratamento é
seguro e bem tolerado por pacien-
tes com lesões hepáticas,” esclare-
ce Gomes. Já o
223
Ra é um emissor
alfa, com meia-vida de 11,4 dias,
que pode propiciar importante
redução da dor em pacientes com
metástases ósseas, além de aumen-
to da sobrevida global, com poucos
efeitos colaterais. De acordo com o
médico, o radiofármaco poderá
substituir em muitos casos o
EDTMP-
153
Sm e deve estar dispo-
nível no Brasil ainda em 2014.
Ainda segundo Gomes, o Ipen
está desenvolvendo também o
anti-CD20 marcado com
177
Lu para
o tratamento de linfomas refratá-
rios, e testando a marcação de deri-
vados da bombesina com
177
Lu para
o tratamento do câncer de próstata.
O especialista informa também que
o Ipen em breve disponibilizará o
DOTATATE-
90
Y, que tem demons-
trado efeitos sinérgicos ao octreota-
to-
177
Lu no tratamento de tumores
neuroendócrinos, principalmente
os de maiores dimensões. “É espe-
rado que, em breve, esse radiofár-
maco esteja disponível para uso
clínico no País.”
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