medicina nuclear em revista
| Jul • Ago • Set 2014
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e s pec i al
c arre i ra
Esteves afirma que o mercado
de trabalho para o médico nuclear
recém-formado nos Estados Unidos
melhorou um pouco no último ano,
mas continua difícil. “Os radiologis-
tas dominam o campo de PET onco-
lógico, enquanto o campo de perfu-
são miocárdica na clínica privada é
dos cardiologistas. Esses dois exa-
mes são os locomotores da medicina
nuclear, o que reduz a necessidade
de contratação do médico nuclear.
No Brasil, isso ocorre em uma escala
muito menor”, considera.
De volta ao Brasil desde agosto,
Esteves conta que em janeiro deste
ano estava de férias em
Florianópolis (SC) quando soube
que um centro de PET/CT estava
sendo construído em Blumenau.
“A motivação para voltar ao Brasil
sempre existiu, ainda mais com a
chance de trabalhar em um centro
de excelência e conviver commeu
filho, que tem quatro anos e mora
próximo a Blumenau.” Para ele,
voltar a trabalhar no Brasil também
representa ter novos desafios e mui-
to aprendizado. “Estou certo de que
nossa equipe prestará um serviço
de alta qualidade para a população
local e espero continuar contribuin-
do cientificamente para a otimização
dos métodos diagnósticos e terapêu-
ticos que oferecemos na medicina
nuclear, em parceria com a Emory
University, onde permaneço como
professor adjunto, e com outros cen-
tros brasileiros voltados à pesquisa
clínica”, conclui.
De volta
A expectativa de novas e melhores
oportunidades no exterior também
atraiu omédico nuclear Fábio
Esteves. “O acesso a equipamentos
tecnológicos de ponta e o incentivo à
pesquisa contribuírampara que eu
tomasse a decisão de sair do Brasil
para fazer residência nos Estados
Unidos”, conta. Omédico decidiu
fazer residência emmedicina nuclear
logo no sexto ano da faculdade. “Optei
por ir aos Estados Unidos porque já
tinha sido aprovado nas provas de
qualificação necessárias. Fiz umano
de residência emmedicina interna na
Universidade da Filadélfia, onde já
trabalhavam alguns brasileiros for-
mados pela Universidade Federal da
Bahia (UFBA). O prestígio dos baia-
nos abriu caminho para mim”, afir-
ma. Ele ficou nos Estados Unidos por
15 anos, tendo sido os quatro primei-
ros dedicados à residência e os
demais como professor da Emory
University, emAtlanta.
No programa de residência que
cursa, Raphaella é chefe dos residen-
tes, trabalhando comdiversos exames
demedicina nuclear, tratamentos e
medicina nuclear emcardiologia.
“Participo diretamente na realização e
interpretação de uma enorme quanti-
dade e variedade de estudos diagnósti-
cos e tratamentos pormeio dematerial
radioativo”, explica. Quando terminar
a residência emMN, em julho de 2015,
ela dará início à residência emradiolo-
gia diagnóstica nomês seguinte, com
previsão de conclusão em junho de
2019. “Ao todo serão oito anos de resi-
dência para título de especialidade
duplo. Como tinha a vontade inicial de
ser radiologista, somada às questões de
mercado de trabalho e à idade relativa-
mente jovem, decidi aplicar para radio-
logia diagnóstica parame tornar uma
‘médica de imagem’ completa”, afirma.
Ela conta que não se arrepende de
tantos anos dedicados e que ainda
serão aplicados: “Chegar até aqui não
foi nada fácil. Sempre tive apoio da
minha família e atualmente estou
muito satisfeita. Nova Iorque é um
lugar incrível para se morar e o pro-
grama de residênciame dámuitas
oportunidades de aprender e crescer
profissionalmente”. Questionada se
pensa em retornar ao Brasil,
Raphaella pondera: “Ainda ficarei nos
EUApor pelomenos cinco anos.
Alguns motivos me fazem pensar em
voltar para o Brasil no futuro, como
o clima e as saudades da família e dos
amigos. Entre os fatores favoráveis a
continuar nos Estados Unidos, estão
as melhores oportunidades de
emprego e não apenas bons salários,
mas principalmente melhores condi-
ções de trabalho”.
O Brasil
precisa de
infraestrutura
para seus
médicos
trabalharem,
e não de médi-
cos de fora
salvador borges neto,
da universidade de duke