Jul • Ago • Set 2014 |
medicina nuclear em revista
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e s pec i al
c arre i ra
de Energia Nuclear (CNEN) e
Instituto de Pesquisas Energéticas e
Nucleares (IPEN), o transtorno foi
sanado. Hoje o embarque é prioritá-
rio, como exigido por lei”.
Goiânia (GO), por sua vez, destaca-
-se por ter praticamente todos os
procedimentos tecnicamente dispo-
níveis e a estrutura logística para
recebimento de insumos radioati-
vos, embora os especialistas tam-
bém sintam o problema da distân-
cia. “O fornecimento de FDG-
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F,
que talvez seja o ponto mais sensível
da operação da rotina de PET/CT, é
disponibilizado com regularidade a
partir de Brasília, que fica a cerca de
duas horas de Goiânia por via ter-
restre. Os aspectos que seriam pas-
síveis de melhora são os mesmos
para o restante do País, como a ges-
tão adequada do fornecimento de
geradores de molibdênio”, afirma
Whemberton Martins de Araújo,
que trabalha na instituição CDI
Medicina Nuclear desde 2010.
Atualmente existemmais seis
serviços de medicina nuclear em
operação na cidade. Por lá, realizam
praticamente todos os procedimen-
tos tecnicamente disponíveis e que
tenham demanda pelo mercado,
sendo os mais usuais PET/CT onco-
lógico, estudos de neuroimagem
funcional como PET e SPECT, sen-
do ambos commapeamento estatís-
tico paramétrico (SPM) de rotina,
SPECT cerebral de transportador
de dopamina, medicina nuclear em
cardiologia, cintilografias dos siste-
mas urogenital e gastrointestinal,
cintilografia óssea e cintilografia de
receptores de somatostatina.
que são várias as dificuldades na
entrega dos materiais, além de os
valores cobrados por esse serviço
serem altos. “Em São Paulo, os radio-
fármacos custamR$ 72, e em Santa
Maria chegam a custar R$ 500. Além
disso, as tabelas do Sistema Único de
Saúde (SUS) não levam em conta a
nossa localidade.” Omunicípio é o
mais completo do interior do Rio
Grande do Sul e possui três serviços
de MN atuando. “O serviço do
Hospital de Caridadetem quatro
gama-câmaras, quarto terapêutico,
cirurgia radioguiada e se desenvol-
veu bastante durante esses anos”,
expõe Bornemann.
Já o médico nuclear Carlos
Borelli Zeller, que trabalha há seis
anos em Porto Velho, capital de
Rondônia, destaca que o transporte
de radiofármacos é uma das princi-
pais dificuldades da região:
“Recentemente, passamos por difi-
culdades na entrega dos geradores
para Rondônia em razão de proble-
mas com a companhia aérea. Nessa
questão, após contato com a
Sociedade Brasileira de Medicina
Nuclear (SBMN), recebemos todo o
apoio necessário e depois de reu-
niões com a companhia aérea, com a
Agência Nacional de Aviação Civil
(Anac) e com a Comissão Nacional
O
Brasil possui 8.515.767 km
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de área.
São 5.570 municípios, localizados
em 27 estados e divididos em cinco
regiões do País. Esses números,
exponenciais, se tornam ainda mais
curiosos se comparados aos de
outros países: a área total do territó-
rio brasileiro é aproximadamente
três vezes maior que a da Argentina,
92 vezes maior que Portugal e 1.414
maior que o território palestino.
Por razões estruturais e logísticas,
amedicina nuclear não está literal-
mente presente em todo o País.
Entretanto, a especialidade pode ser
encontrada nas diversas regiões a
partir de profissionais que se dedicam
e superamas dificuldades do cotidia-
no, como distância das grandes cida-
des, transporte de radiofármacos e
falta de PET/CT, para que os pacien-
tes tenhamomelhor atendimento
possível em seus estados. Em entre-
vista àMedicina Nuclear em revista,
especialistas compartilham suas his-
tórias de conquistas e expõemum
panorama da especialidade pelo
Brasil, sob diferentes aspectos.
Distância e transporte
de radiofármacos
Atuando em Santa Maria (RS),
cidade a cerca de 300 km de Porto
Alegre (RS), o médico nuclear Clóvis
Rogério Bornemann trabalha há
40 anos no Hospital de Caridade
Astrogildo de Azevedo. Ele explica