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medicina nuclear em revista
| Out • Nov • Dez 2014
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capacitação e mercado
E
Em 1988, a Constituição Federal do Brasil instituiu o
Sistema Único de Saúde (SUS) para garantir que a
população tivesse acesso a um tratamento integral,
universal e gratuito. E para atender milhões de bra-
sileiros com eficiência, ele necessita estar em cons-
tante aperfeiçoamento. Os exames de medicina
nuclear, que oferecem diversos benefícios para a
população, do diagnóstico ao tratamento, são classi-
ficados pelo SUS como sendo de alta complexidade.
Sendo assim, são considerados procedimentos que
envolvem alta tecnologia e custos elevados. Isso por-
que exigem uma equipe multidisciplinar composta
por médicos, tecnólogos ou biomédicos, físicos-médi-
cos, radiofarmacêuticos e equipe de enfermagem
treinada para o trabalho com radiofármacos, radio-
nuclídeos, câmaras de cintilação, SPECT/CT, PET/
CT, probes intracirúrgicos, calibradires de doses e
outros equipamentos.
De acordo com o estudo O SUS na Medicina
Nuclear do Brasil: Avaliação e Comparação dos Dados
Fornecidos pelo Datasus e CNEN (setembro de 2013),
realizado no Instituto de Pesquisas Energéticas e
Nucleares (Ipen), a tabela de procedimentos unifi-
cada registra apenas 50 procedimentos ambulato-
riais baseados no uso de geradores de
99m
Tc e
radioisótopos primários (
131
I,
67
Ga,
201
Tl). Porém, a
pesquisa ressalta que a especialidade utiliza emis-
sores de pósitrons, com meia-vida muito curta,
como o
18
F, além de radioisótopos de emissores de
partículas como
177
Lu, para fins terapêuticos, que
não são contemplados pelo SUS. Sendo assim, os
pacientes, muitas vezes, precisam complementar o
atendimento na rede suplementar ou até mesmo de
forma particular. Para a consultora econômica da
Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN),
Beatriz Leme, os procedimentos realizados são os
mesmos em ambos, no entanto o SUS ainda não
remunera os exames em PET/CT, diferentemente
do que ocorre na saúde suplementar. “Os valores
praticados pelo SUS estão sem reajuste desde 2009,
apesar das diversas tentativas da SBMN junto ao
Ministério da Saúde (MS).”
Confira
panorama da
área no SUS e
a experiência
de alguns
hospitais que
atuam com os
procedimentos
de MN para
diagnóstico
e tratamento
por
samantha cerquetani
Ainda de acordo com o estudo, em
2012 foram realizados 392.264 proce-
dimentos ambulatoriais de medicina
nuclear pelo SUS. Dos 50 tipos cober-
tos, sete são responsáveis por 92,1%
do total: cintilografia de miocárdio
para avaliação da perfusão em situa-
ção de repouso e de estresse, cintilo-
grafia de ossos com ou sem fluxo san-
guíneo, cintilografia renal/renograma
(qualitativa e/ou quantitativa), estudo
renal dinâmico com ou sem diurético,
cintilografia de tireoide com ou sem
captação, cintilografia para pesquisa
do corpo inteiro.
Outra questão abordada pelos pes-
quisadores é que, apesar de haver ocor-
rido um crescimento na quantidade de
procedimentos ambulatoriais realiza-
dos pelo SUS (26%) entre 2008 e 2012,
ele não aconteceu de forma uniforme
em todas as regiões. Na região norte, a
ampliação foi de 48%, seguido de 40%
na centro-oeste e 21,4% no sudeste.
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* artigo publicado na revista radiologia brasileira, de autoria de lorena pozzo, george coura filho, joão alberto osso junior, peterson lima squair