Out • Nov • Dez 2014 |
medicina nuclear em revista
24
especial
Durante o 28º Congresso Brasileiro de
Medicina Nuclear (CBMN), realizado
no final de setembro, os membros
da SBMN elegeram em Assembleia
a diretoria que estará à frente da
Sociedade no biênio 2015-2016.
Atual vice-presidente da entidade,
Claudio Tinoco Mesquita tomará a
dianteira da futura gestão, tendo
como um de seus maiores desafios
promover o desenvolvimento da
medicina nuclear no Brasil.
De acordo com ele, sua atuação no
comando da SBMN será uma conti-
nuidade não só da atual administra-
ção, mas tambémde todas as anterio-
res, que tanto contribuírampara ala-
vancar a especialidade. Atualmente,
novos
rumos
para a
Diretoria eleita para
o próximo biênio quer
levar a medicina
nuclear para os quatro
cantos do País
por
renato santana de jesus
sbmn
Para que essas intenções
sejam concretizadas, a SBMN
planeja continuar estreitando o
relacionamento com o governo e
os órgãos reguladores. Na avalia-
ção de Cerci, um dos pontos mais
complicados diz respeito à
Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa), cuja aproxi-
mação tem sido cada vez maior,
mas ainda longe do ideal. Para
ele, com a entrada de Marcelo
Moreira, coordenador de produ-
tos biológicos da agência e res-
ponsável por cuidar especifica-
mente dos radiofármacos, a pers-
pectiva é que as conversas entre
SBMN e Anvisa acelerem-se.
Entre as necessidades mais
urgentes damedicina nuclear está
justamente a liberação de radiofár-
macos no Brasil, que se encontra
em estágiomuitomais atrasado
em relação a países vizinhos,
como Chile, Uruguai e Argentina,
onde a oferta desses medicamen-
tos, essenciais para a realização de
exames, é muitomaior. “Tivemos
sessões durante o 28° CBMN, cuja
finalidade era justamente estreitar
o contato coma Anvisa e facilitar
esse processo que é tão burocráti-
co e tão difícil de ser feito no
modelo atual. E o nosso compro-
misso é ajudar para que, nos pró-
ximos anos, esse processo seja
mais fácil, mais ágil, permitindo o
avanço, tendo novos radiofárma-
cos à disposição dos pacientes bra-
sileiros. Hoje emdia esse acesso é
bastante restrito por uma limita-
ção de política de saúde”, assegura
o diretor científico da SBMN.
no Brasil existemaproximada-
mente 660médicos nucleares, 412
serviços ematividade e 100 apare-
lhos de PET/CT, exame esse que
passou a ser incorporado pelo
Sistema Único de Saúde (SUS) em
2014. “A entrada do PET/CT no
SUS, o último exame de imagem
de porte grande que faltava, passa-
rá a ser oferecido a todos os brasi-
leiros esse ano ainda. Essa é uma
luta de mais de dez anos”, relem-
bra o presidente eleito.
Contudo, embora o
Ministério da Saúde tenha
incorporado o PET/CT ao SUS,
ele ainda não decidiu sobre o
valor que será repassado pela
realização do exame, considera-
do de alto custo, o que dificulta
sua disseminação. Mais do que
pleitear uma precificação ade-
quada, porém, também é objeti-
vo da nova diretoria da SBMN
ampliar as indicações do
PET/CT para todos os tipos de
pacientes que possam dele se
beneficiar. “Além dos pacientes
oncológicos, o PET também tem
um papel importante em outras
doenças, como as neurológicas e
as cardiológicas. O nosso desejo
é que esse avanço seja mais rápi-
do - e não tão moroso como vem
se apresentando. Ainda tenho
esperança de que entre na tabela
do SUS desse ano, mas, se não
entrar, sem dúvida nenhuma, é
um ponto bem importante que
vamos trabalhar”, afirma
Juliano Cerci, atual diretor cien-
tífico da SBMN e vice-presiden-
te da futura gestão.