Revista Plastiko´s #230

30 PLASTIKO‘S Entrevista Especial. escondidas pela tranquilidade cotidiana da normalidade. Um exemplo é Anne Frank, a menina judia escondida no sótão em Amsterdã. Ela foi escondida, junto ao pai e mãe e um pequeno grupo por um casal de holandeses protestantes. Eles arriscaram a vida para proteger seres humanos e foram denunciados por holandeses, ou seja, canalhas e heróis sempre viveram na mesma rua. Você e eu somos pessoas calmas e tranquilas nessa sala. Por quê? Não estamos com calor extremo, com frio extremo ou fome extrema. A introdução disso vai mostrar quem é o santo abnegado e quem é o egoísta que sofre pra defender o seu. As crises tiram máscaras. Você vê quem é alguém no momento da crise. Na abundância, a felicidade costuma diminuir os atritos. A crise revela qual é a nossa natureza. O senhor disse em uma palestra que a chave da ética é o controle da vaidade. Como se faz esse controle, sobretudo, em uma época que nossa imagem é hipervalorizada e nos expomos o tempo inteiro nas redes sociais? Temos um desafio de tornar a vaidade um incentivo e podemos controlá-la de várias maneiras. No budismo, é com o esvaziamento da ilusão do eu; no cristianismo católico, eu posso domesticar o corpo e vaidade com jejuns. Nada disso é errado. As pessoas que seguem devem continuar seguindo. Eu proponho algo mais psicanalítico. A vaidade produtiva, Vivemos um momento em que a ética ou a preocupação com ela se capilarizou. Ela hoje está muito mais diluída na sociedade do que há 30 anos. Há alguns anos, era um conteúdo universitário. Hoje as empresas e a vida profissional no mundo empresarial passam pela ética” FOTO: RODRIGO MORAES

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