PLASTIKO‘S 52 História. HISTÓRIA DA TÉCNICA ENTREVISTA “MERCADO DE TRABALHO EM MICROCIRURGIA É GRANDE E INEXPLORADO” Pioneiro na introdução da microcirurgia reconstrutiva no Brasil e América Latina, o Dr. Marcus Castro Ferreira, Professor Titular da Disciplina de Cirurgia Plástica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), fala a seguir sobre o impacto da técnica na medicina e explica que, em razão do pequeno número de centros para treinamento na técnica, existe ainda número insuficiente de microcirurgiões treinados disponíveis no país. Qual foi o impacto da técnica na época para a cirurgia plástica e qual o impacto atual na especialidade? O início da microcirurgia no Brasil nos anos 1970 ocorreu quando a cirurgia plástica estava pouco desenvolvida e fez crescer a sua parte reconstrutiva, mas que, até hoje, continua menos estimulada que a parte estética. Para realizar os A utilização da microcirurgia começou antes da própria invenção do microscópio cirúrgico na década de 1920. Não era novidade o uso do microscópio para melhorar a visualização de estruturas operadas pelo cirurgião. Os cirurgiões de ouvido já o utilizavam desde a década de 1930. O uso de lupas promovendo pequenos aumentos também era conhecido. “A microcirurgia, até ali, permitia melhor dissecção de estruturas doentes para retirá- -las commenor dano às normais. Como não conhecíamos fios menores que 7-0 (hoje existe até 12-0) e não havia instrumentos adequados, não podíamos reconstruir estruturas tubulares diminutas como vasos sanguíneos e nervos”, lembra o professor. Historicamente, a primeira cirurgia microvascular foi descrita pelo cirurgião vascular Julius H. Jacobson II, da Universidade de Vermont, em 1960. Usando ummicroscópio para auxiliar na anastomose dos vasos sanguíneos, Jacobson realizou o acoplamento de vasos de 1,0 mm. Credita-se a ele, aliás, a popularização do termo “microcirurgia”. Desde então, com o desenvolvimento de instrumentos e técnicas microcirúrgicas, especialmente com o primeiro microscópio cirúrgico inventado por Carl Zeiss em 1953, as limitações para o uso da microcirurgia emmuitas especialidades médicas diminuíram e paulatinamente se tornou parte indispensável da cirurgia plástica reconstrutiva. Cronologicamente, a evolução em nível mundial da agora denominada microcirurgia reconstrutiva costuma ser dividida em três fases. Na primeira década de 1970, a técnica despontou como um recurso adicional à cirurgia plástica reparadora e era reservada a situações nas quais alternativas convencionais já haviam falhado ou não podiam ser empregadas. Na segunda fase, na década seguinte, a técnica foi incorporada com uma série de novos conceitos e conhecimentos anatômicos e os relatos disponíveis na literatura da época demonstraram que a técnica de transplantes microcirúrgicos era segura. Na terceira fase, a partir de 1990, a microcirurgia reconstrutiva deixou de ser uma alternativa e se tornou, em muitos casos, a principal técnica empregada.
RkJQdWJsaXNoZXIy NjY5MDkx