Página 20 - Medicina Nuclear em Revista 06

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Abr • Mai • Jun 2014 |
medicina nuclear em revista
20
C&T
© ênio de freitas gomes • Arquivo pessoal
As pequenas
doses de substâncias
radioativas
(radiofármacos)
administradas
aos pacientes para
a obtenção das
imagens na
medicina nuclear
são praticamente
isentas de efeitos
colaterais
Ênio de Freitas Gomes,
médico nuclear e diretor
do Núcleos - Centro de Medicina
Nuclear em Brasília (DF)
As cintilografias são exames rea-
lizados em crianças com frequência,
e ocorrem após a administração de
quantidades muito pequenas de
material radioativo no organismo,
por injeção, ingestão ou inalação,
podendo ser utilizadas com a finali-
dade de diagnosticar, estadiar, tratar
e acompanhar a evolução de inúme-
ras doenças. Nesse tipo de procedi-
mento, as doenças são detectadas
pelas alterações biológicas e funcio-
nais que podem causar. “Em crian-
ças, os estudos mais frequentemente
solicitados são os de desordens dos
sistemas urinário, gastrointestinal e
musculoesquelético, tanto em doen-
ças benignas como em certos tipos
de câncer”, completa.
OPET/CT é umamodalidade
diagnósticamuito importante na ava-
liação de alguns tumores malignos da
infância. Porém, dado o pequeno
número desses tumores, a quantidade
de procedimentos realizados é muito
inferior ao ser comparada coma feita
na população adulta. Os casos mais
frequentes do uso do PET/CT são nos
linfomas, neuroblastomas e tumores
ósseos primários.
De acordo com o especialista,
usando como referência dados do
Planejamento Institucional 2012-2015
da Comissão Nacional de Energia
Nuclear (CNEN), elaborado em outu-
bro de 2011, estima-se que dois
milhões de pessoas se submetam
anualmente a procedimentos de
medicina nuclear no Brasil. “Em
nossa instituição emBrasília, 5% dos
exames de medicina nuclear em 2013
foram em crianças. Se extrapolarmos
esse nosso percentual para o Brasil,
chegaremos a uma cifra de 100 mil
crianças por ano”, estima.
Preparação e cuidados
Gomes afirma que atualmente há uma
intençãomundial de reduzir essas
doses de radiação ionizante até o limite
do possível sem interferir na qualidade
dos exames. “Temos o cuidado de usar
asmenores quantidades possíveis, de
acordo comos consensos internacio-
nais sobre a administração de radio-
fármacos emcrianças, coma finalida-
de de reduzir a possibilidade teórica de
umpequeno e questionável risco de
aumento da carcinogênese, em longo
prazo, pela utilização desses radiofár-
macos”, expõe. Recomenda-se também
que asmães que estão grávidas e cui-
damde seus filhos durante e após o
exame deMNevitemo contato íntimo
como paciente, durante algumas
horas após o término das análises.
Os profissionais explicam que,
devido às baixas doses de radiação
utilizadas nos diagnósticos emMN,
praticamente não existem cuidados
especiais quanto à radiação que esses
pacientes emitem após os exames.
Em alguns casos, é preciso atentar
para a contaminação pela urina nos
casos de uso de radiofármacos elimi-
nados pelos rins. Além disso, a maio-
ria dos exames convencionais de MN
não precisa de preparos especiais, e o
jejum é poucas vezes necessário, usa-
do apenas quando há anestesia. No
geral, o pós-exame não requer
nenhum cuidado especial. “Amaior
limitação dos exames de MN em
pediatria é que, em alguns casos,
dada a dificuldade de cooperação dos
pacientes, é necessária sedação ou
anestesia, que nem sempre podem
ser realizadas, dificultando os proce-
dimentos. Nesses casos, os resulta-
dos podem ser comprometidos ou
inconclusivos”, alerta Estrela.