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medicina nuclear em revista
| Out • Nov • Dez 2014
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na prática
preocupação em relação à qualidade
do treinamento dos residentes: “É
esse sistema de monitoramento
constante que garante a qualidade
dos egressos. A maioria dos progra-
mas de residência está localizada na
região sudeste (16 dos 21). Uma parte
significativa dos nossos esforços é
reduzir essa concentração”.
Existem centros formadores de
hospitais universitários que têm a
disciplina de medicina nuclear na
grade curricular do curso de medici-
na, o que facilita bastante o aumento
do interesse dos estudantes pela
área, mas isso ainda é minoria. Para
Sonia, existe uma facilidade maior
em centros de formação multidisci-
plinares, como os hospitais univer-
sitários e hospitais de ensino, por
existir grande número de pacientes
em comum e a possibilidade de dis-
cussão desses casos commaior fre-
quência. “No entanto, centros for-
madores que não estão nesses hos-
pitais também podem divulgar a
especialidade promovendo palestras
e reuniões multidisciplinares em clí-
nicas de especialidades. Nesse caso,
fica mais pulverizado e mais traba-
lhoso, mas é possível”, relata.
Oliveira reforça que amedicina
nuclear é uma especialidade médica
cujos procedimentos diagnósticos e
terapêuticos trabalhamdiretamente
com equipamentos sofisticados, por
issomuitas vezes caros e pouco dispo-
níveis para incentivar o número de
especialistas na área. “Esse fato tende
a dificultar a exposição dos estudan-
tes de medicina à prática profissional
e isso inclui as deficiências na própria
formação, ou seja, nas disciplinas que
deveriamabordar esse conteúdo
durante a graduação.”
Bernardo Vianna, que faz residên-
cia no Hospital Pró-Cardíaco (RJ),
optou pela área durante a formação
na faculdade, ao deparar com os
avanços da tecnologia. “É uma
especialidade onde mantemos con-
tato com o paciente por meio de
diagnósticos com os exames e com
as novas terapias que estão surgin-
do.” Ele revela que no momento está
se preparando para a prova de título
de especialista. Entre suas ativida-
des, destacam-se acolhimento do
paciente, prescrição dos radiofár-
macos a cada exame e manuseio do
aparelho. “No Brasil, faltammédi-
cos especialistas na área - a maioria
encontra-se no sudeste, o que
aumenta a concorrência. Pretendo
estender minha formação mais um
ano dedicado ao PET e realizar um
estágio supervisionado.” O residen-
te é autor principal do artigo cientí-
fico Gastroparesia: Uso da
Cintilografia para Diagnóstico e
Quantificação, publicado no Jornal
Brasileiro de Medicina (JBM).
Stefanie Knabben realiza resi-
dência no A.C. Camargo Cancer
Center, e conta que decidiu fazer
medicina nuclear quando foi
morar no Rio de Janeiro após se
formar na Universidade Federal
de Santa Catarina (UFSC), em
Florianópolis. “Estou no terceiro
ano de residência, o que implica
maior responsabilidade, enten-
dimento e autonomia nas deci-
sões. Sou responsável por pre-
parar mais aulas, ser a primeira
a examinar um exame mais
complexo antes de o titular do
serviço acessá-lo e tirar as dúvi-
das dos mais novos”, diz. A
jovem médica afirma que em
nenhum dia se arrependeu de
sua escolha pela área. “Os exa-
mes de medicina nuclear são
esplêndidos, não invasivos, aju-
dam as pessoas e tendem a
expandir. Tenho planos de me
especializar fora assim que ter-
minar a residência.”
vida de
residente