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Jornal Saúde da Família
2015 Março/Abril
Dentre as várias aplicações desse
pequeno – às vezes miúdo – aparelho,
uma começa a impactar o sistema de saúde
brasileiro por sua praticidade e relevân-
cia: o Telessaúde. Criado em 2007 pelo
Ministério da Saúde (MS), o programa
está presente hoje em 14 estados e, embora
o MS não tenha informações de gastos e
benefícios ao longo dos anos, o número de
teleconsultas não para de crescer.
No R i o Gr ande do Su l (RS ) , o
Telessaúde é ligado ao Programa de Pós-
-Gr adua ç ão em Epi demi ol og i a da
Faculdade de Medicina da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e
possui atualmente um quadro de 150 pro-
fissionais, sendo cerca de 40 médicos. O
coordenador do projeto no estado, Erno
Harzheim, conversou com o
Jornal Saúde
da Família
para explicar como ele fun-
ciona, as vantagens que traz para a socie-
dade e como auxilia médicos e pacientes.
Como funciona o Telessaúde?
Qualquer médico que trabalhe em uma
Unidade Básica de Saúde (UBS) do país
inteiro pode ligar para o 0800 644 6543.
Ele conversa com um médico de família e
os dois discutem o caso. Se necessário, um
médico de outra especialidade participa
da discussão ou dá um parecer posterior.
Contudo, em torno de 95% das chamadas
são respondidas durante a própria ligação.
Mas não são apenas médicos que usam o
Telessaúde, certo?
Qualquer profissional da atenção básica
(técnico de enfermagem, agente comuni-
tário, nutricionista, fisioterapeuta, psicó-
logo) pode utilizar a plataforma eletrô-
nica. No Rio Grande do Sul, por exemplo,
o 0800 funciona para médicos e enfermei-
ros. Enquanto isso, em termos nacionais, o
programa é apenas para médicos mesmo.
Os médicos que atuam como teleconsul-
tores trabalham em regime de dedicação
exclusiva?
Também no caso do RS, todos os tele-
consultores do projeto, semexceção, têmum
contrato CLT com a Fundação de Apoio da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
(FAURGS), que varia entre 10 e 40 horas
semanais. Não trabalhamos com sistema
de parceria informal, pois isso não funciona
na prática. Desconheço alguém que consiga
trabalhar com essa natureza de relação tra-
balhista e tenha resultados rápidos, imedia-
tos e de qualidade para prover respostas.
O profissional tem que estar disponível no
momento em que é feita a ligação.
Existe algum tipo de treinamento?
Fazemos uma capacitação inicial quando
alguém entra no projeto, para explicar o
Telessaúde e a atenção primária. Temos
tambématividades de educação continuada.
Os teleconsultores, por exemplo, fazem no
mínimo três atividades mensais de discus-
sões de temas clínicos, o que nos ajuda no
posicionamento em relação a temas con-
traditórios na literatura. Surgem perguntas
em que o livro X, de alta qualidade, diz uma
coisa, omanual doMinistério da Saúde (MS)
diz outra e o protocolo americano, outra.
Nenhuma delas está a princípio equivocada,
mas cada uma traz uma consequência um
pouco distinta. Então, sempre nos posicio-
namos para decidir qual seguir.
Como funciona a produção acadêmica rea-
lizada no Telessaúde?
Temosumbancodedados que surgenatu-
ralmente da nossa prestaçãode serviços, e este
Dr. Erno Harzheim durante apresentação no Ministério da Saúde, em novembro de 2014,
com resultados e impactos do Telessaúde no Rio Grande do Sul
Foto:
© Telessaúde /
Divulgação




