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Jornal Saúde da Família
2015 Março/Abril
Especial
Compromisso
com qualidade
SBMFC se reúne com MS e MEC para tratar sobre a
ocupação das vagas de residência na especialidade
Por Lais Cattassini
E
m reunião com o Ministério da
Saúde (MS) e o Ministério da
Educação (MEC), a Sociedade
Brasileira de Medicina de Família
e Comunidade (SBMFC) assumiu o com-
promisso de colaborar para a expansão e
ocupação de vagas de residência para a espe-
cialidademédica. Oobjetivo dosMinistérios
é criar mais de 10 mil novas vagas até 2018,
universalizando o acesso à formação. “As
metas são grandiosas. Mas temos uma visão
otimista do processo e estamos dispostos
a ajudar”, afirma o presidente da SBMFC,
Thiago Gomes da Trindade.
A responsabilidade da SBMFC será
garantir a qualidade dos cursos de formação
e dar suporte técnico às residências. Para
isso, a Sociedade deverá ter a colaboração
de sócios de todos os estados, de modo a
garantir a qualificação de novos profissionais
e orientar estudantes sobre a especialidade.
Atualmente há 1.200 vagas para residên-
cia emMFC, mas apenas 30% estão ocupa-
das. “O desafio, além de expandir a oferta, é
ocupar essas vagas”, avalia Trindade. Para ele,
é preciso deixar a especialidademais atraente
para estudantes e, por meio de políticas
públicas, garantir boas condições de traba-
lho e melhores salários para os profissionais.
Frente a essa reivindicação, os Ministérios
assumiram o compromisso de pensar em
incentivos para os residentes.
Atenção básica
Os encontros também serviram para
discutir questões sobre a melhoria do ser-
viço de atenção primária. A SBMFC pede a
qualificação do e-SUS, o portal do Sistema
Único de Saúde (SUS). O e-SUS Atenção
Básica (AB) pode ser implantado em qual-
quer município, mas os profissionais ainda
enfrentam desafios. Hoje a viabilização do
sistema depende da capacidade de recursos
humanos nos estados e da capacidade tec-
nológica das Secretarias Estaduais de Saúde,
Secretarias Municipais de Saúde e Unidades
Básicas de Saúde, como computadores,
impressoras e acesso à internet.
O sistema acompanha as ações e os resul-
tados da Estratégia Saúde da Família (ESF)
e é por meio desta que os profissionais têm
informações sobre as famílias atendidas e
condições de moradia, saneamento e saúde,
além da composição das equipes de atendi-
mento. O sistema deve ser claro e objetivo,
uma reivindicação da SBMFC junto ao MS.
A tecnologia e o acesso a sistemas de
informação claros também pautaram a dis-
cussão sobre a Política Nacional de Atenção
Básica (PNAB). A incorporação de novas
tecnologias é, segundo Trindade, essencial
para garantir um atendimento de qualidade.
“Novas tecnologias para a atenção primária
melhoram o diagnóstico e a comunicação
com profissionais da rede”, afirma.
A SBMFC pretende ainda trabalhar em
conjunto com ambos os Ministérios para
revisar alguns atributos da atenção primária
para o Programa Nacional de Melhoria do
Acesso e da Qualidade da Atenção Básica
(PMAQ). “Vamos trabalhar emconjuntopara
qualificar melhor esse instrumento, para que
tenha mais impacto na saúde da família.”
O PMAQ avalia e acompanha profissio-
nais comomédicos, enfermeiros, dentistas e
técnicos de enfermagemque trabalhamcom
a atenção primária para melhorar o padrão
de atendimento nas Unidades Básicas de
Saúde (UBS). Para garantir o acesso a infor-
mações de qualidade, a SBMFC se coloca
à disposição do Ministério da Saúde para
elaborar materiais didáticos e participar da
orientação de profissionais.
Governo federal pretende criar 10 mil vagas para residentes até 2018
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