Março/Abril 2015
Jornal Saúde da Família
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Entrevista
serve de base para diversos estudos. Estamos
fazendo, por exemplo, um ensaio clínico
randomizado sobre o efeito da realização de
espirometria e do suporte aomanejo de asma
via telefone junto a pacientes do RS. Temos
outro sobre como a teleconsultoria ajuda a
diminuir a lista de espera para consultas com
endocrinologistas emPorto Alegre. E temos
ainda três ensaios clínicos sendo realizados
dentro doHospital de Clínicas (HC), emque
usamos o Telessaúde para dar suporte aos
médicos da atenção primária no momento
emque os ambulatórios doHC dão alta para
pacientes com cardiopatia isquêmica, hiper-
plasia prostática benigna ou diabetes.
Que benefícios o programa traz para médi-
cos e pacientes?
Existem desafios em vários níveis. Um
deles é o quebra-cabeça da gestão de recur-
sos públicos que vêm de fontes diferentes e
passampor distintos entes, todos com regras
próprias e nem sempre coincidentes. Como
prestação do serviço, um problema é conse-
guir captar pessoas de qualidade: os telecon-
sultores devem ser de extrema competên-
cia clínica. Mas o principal desafio é outro:
a utilização do Telessaúde pelos profissio-
nais da atenção primária poderia ser maior.
Quais serão os próximos passos?
Nosso desafio imediato está na respon-
sabilidade por toda a central de regulação de
encaminhamentos ambulatoriais do estado.
Isso temumpotencial de impacto de reduzir
pelametade a atualmarcade 200mil consultas
esperandomarcação, e esse número cresce em
até cinco mil consultas a cada mês. Trata-se
de algo bastante grande e precisaremos de
muitos teleconsultores e de uma equipe de
apoio muito dedicada para conseguir dar
conta da tarefa. Enosso próximo passo é cada
vez mais se aproximar também dos pacien-
tes. Não queremos atuar somente com os
profissionais de saúde. É importante chegar
cada vez mais perto do cidadão, do paciente,
e auxiliá-lo em seu cuidado, resolver dúvi-
das que possam ser passíveis de suporte via
telefone. Assim, essa é outra linha de atuação
que já estamos começando a trabalhar.
Que mensagem o senhor deixa para o pro-
fissional que ainda não tem o costume de
usar o Telessaúde?
Ao telefonar para o 0800 ou fazer uma
solicitação pela internet, surge uma oportu-
nidade muito produtiva de qualificar o cui-
dado e aprender junto com o teleconsultor.
Não é uma questão de colocar em dúvida
a competência de quem liga. Ao contrário:
quem liga se torna, naquele caso, ummédico
mais resolutivo. E isso pode ser inclusive divi-
dido comos pacientes. Em várias ligações, o
paciente está na frente do médico e vê que
ele está realmente preocupado com a con-
dução de seu problema, buscando suporte
com colegas altamente treinados e comuma
imensa fonte de referências bibliográficas.
Conseguimos evitar oito em cada 10
encaminhamentos. O médico ia encaminhar
aquele paciente para outra especialidade, mas
resolveu sua dúvida no momento da ligação.
Emrelaçãoaosmédicos, acaba sendouma
atividademuito produtiva de atualização clí-
nica e aprofundamento do conhecimento. Do
ponto de vista do paciente, ao qualificar seu
cuidado, tendo uma discussão e uma conduta
conjunta entre o teleconsultor e omédico soli-
citante, ele sebeneficiadiretamente, sendoalvo
de uma intervenção médica melhor. Temos
no 0800 uma taxa que revela que consegui-
mos evitar oito em cada 10 encaminhamen-
tos, ou seja, o médico ia encaminhar aquele
pacienteparaoutraespecialidade,mas resolveu
sua dúvida nomomento da ligação. Isso gera
uma economia importante, alémde ganho de
tempo na resolução do problema.
Quais as maiores dificuldades de um pro-
grama como o Telessaúde?
Durante atendimento telefônico, médica consulta fonte bibliográfica para buscar informação precisa
Foto:
© Telessaúde /
Divulgação




